
Os fatos se sucedem na vida e o cotidiano nos impede de momentos mais reflexivos sobre o sentido das coisas. Até que, de repente, algo aparece na sua frente, obrigando-o a pensar... Pois bem, eu estava pesquisando outras coisas até que entrei no Portal da Família e deparei-me com um texto de São Josemaría Escrivá (www.portaldafamilia.org.br/artigos/artigo085.shtml), fundador do Opus Dei, sobre "A mulher separada e a indissolubilidade do vínculo matrimonial".
Em síntese, o texto reflete a posição da igreja católica sobre o casamento. Haja o que houver, o casal está casado para sempre. Ele diz que "a indissolubilidade do casamento é de lei natural, de direito divino". Um pouco adiante, complementa, dizendo que "reconhecendo muito embora a inevitável dureza de bastantes situações, em não poucos casos, poderiam e deveriam ter sido evitadas - é necessário não dramatizar demasiado". E mais ainda "O que verdadeiramente torna uma pessoa infeliz é essa busca ansiosa de bem-estar". E finaliza dizendo que as situações duras tem a sua graça e um chamado divino para trabalhar a caridade.
Nasci católica e, com tal formação, entendo e efetivamente aceito com resignação alguns fatos difíceis da nossa vida. Não exatamente como posto por São Escrivá (como provação), mas sim como etapas necessárias para o nosso aprimoramento e crescimento espiritual. Neste sentido, embora minha separação não tenha acontecido por minha opção, eu a aceitei. Mas acho que essa resignada aceitação, por si só já basta. Fico muito triste em saber que a "Santa Igreja" me condene ao inferno por ter me separado. E, além disso, ainda queira deixar a minha consciência culpada por que não soube evitar as situações que levaram a isso.
Respeito a Igreja e as Religiões em todas as suas formas e designações. Mas será que não haverá nelas um espaço de maior sensatez, em que uma separação possa ser encarada simplesmente como um fato triste, mas passível de um novo equilíbrio? Acho que eu e o Tatá já nos perdoamos pelos nossos erros (ou quase todos) e desejamos que o outro encontre equilíbrio e felicidade em um novo caminho. Sinceramente, sinto-me mais próxima a Deus pensando desta forma do que frequentanto a Igreja que me condena.
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